Os poetas são os verdadeiros precursores da deturpação da língua.
Diante de minha indignação a respeito da má alfabetização e baixa qualidade, não do ensino, mas do aprendizado da língua portuguesa no nosso país, acabei por concluir que a culpa de tanta besteira escrita e falada e tantos erros de concordância, grafia e emprego de palavras, são pura e simplesmente cópias do que ficou considerado como "a forma adequada de expressão".
Na busca pela diferenciação, por alternativas para escrever, muitas vezes caímos em vícios que não passam a mensagem, mas deixam-na mais bonita de se ler.
É impressionante - e desanimador - como vejo em membros do legislativo de algumas cidades pequenas o quanto isso é verdade.
Esses, principalmente por sua função de parlamentar (que é aquele que fala), procuram expressar-se de uma forma rebuscada, complicando o que seria simples.
Na poesia, sempre encontramos formas bonitas de se dizer alguma coisa, porque é essa a função do poeta!
Diversas figuras de linguagem nos mostram como podemos "ver", "ouvir", "sentir" e imaginar pela leitura.
"Muitos passarão, eu passarinho", do mestre Mário Quintana, é um exemplo de deturpação da língua.
Entretanto, eu na posição de crítico, acabo cometendo alguns dos pecados que insulto, como o de divagar sem chegar a lugar algum.
É que estou diante de um texto, que me fez sentir vontade de expressar esse sentimento de revolta.
Não é culpa de quem o escreveu, porque talvez ele não tenha tido chance de ler tantos livros quanto deveria, de ter entendido que a língua portuguesa é a mistura de tantas línguas e culturas que ele tem a chance de escrever um longo texto sem repetir uma única palavra.
Só estou com um pouco de medo de esquecer o que demorei tanto para aprender, porque a internet e a linguagem popular estão cada dia mais presentes no dia-a-dia do que um dia chamaram de Português...
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
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